O CAFÉ NA ECONOMIA BRASILEIRA
A expansão do setor cafeeiro no Brasil ocorre à partir de meados do século XIX com o declínio da economia açucareira no nordeste, a ruína da cultura do algodão e a decadência da mineração. Com os principais produtos da pauta de exportação do país apresentando declínio no mercado externo, a economia nacional atravessa um período de estagnação. Havia uma infra-estrutura subutilizada em função do declínio das atividades econômicas mencionadas - como instalações, transportes, comercialização, terras férteis e disponibilidade de um estoque de mão-de-obra escrava ociosa ou semi ociosa. Por outro lado, os fatores externos, como o aumento do consumo de café na Europa e nos Estados Unidos, e pelo lado da produção, a ruína dos principais produtores mundiais de café como Java (devido a uma praga) e Haiti (por levantes de escravos), contribuíram para transformar o Brasil no maior fornecedor de café do mercado mundial.

É incontestável a importância do café para o processo de formação e desenvolvimento da economia brasileira, este produto tornou-se fator determinante no processo de formação do capitalismo brasileiro, sendo por isso, alvo de constantes intervenções e regulamentações face à importância que assumiu no contexto da economia nacional.

O desenvolvimento da economia cafeeira, diferentemente da economia açucareira, propicia o crescimento político e social dos homens de negócio do café, gerando a denominada “burguesia cafeeira”. Assim, a economia e o capital cafeeiros ultrapassam as lavouras. Os principais líderes dessa nova marcha não se limitaram em organizar e dirigir plantações de café, eram homens com ampla experiência comercial, com interesses bem mais abrangentes, preocupados com aquisição de terras, recrutamento de mão-de-obra, organização e direção da produção, transporte interno, comercialização nos portos, contatos oficiais e interferência na política financeira e econômica.

A expansão do setor cafeeiro determinou, por conseguinte, o desenvolvimento das estradas de ferro em função da necessidade devido a expansão na produção, o desenvolvimento da mecanização, substituindo secadores manuais pelos mecânicos e introduzindo no processo produtivo os classificadores a vapor. A transferência em massa de trabalhadores europeus para as lavouras cafeeiras ocorrida em 1870, propiciará a mudança da mão-de-obra escrava para a mão-de-obra assalariada, O desenvolvimento do setor cafeeiro exerce, ainda, forte influência nas casas bancárias, através das casas de exportação, cujo capital se constituiria no embrião para o desenvolvimento dos primeiros bancos, conforme pode-se observar, o capital cafeeiro se desenvolve assumindo múltiplas funções, quer seja como capital agrário ou como capital industrial, permitindo ao país reintegrar-se nas correntes em expansão do comércio mundial.

Como forma de estimular o crescimento do consumo interno, em 1952 o Instituto Brasileiro do Café- IBC, criou o Programa de Aumento do Consumo Interno do Café, este programa consistia em fornecer ao Industrial uma cota de café a um preço menor que o mercado, sendo a qualidade determinada pelos técnicos do IBC. Este programa durou por mais de duas décadas, contribuindo para um crescimento expressivo do consumo nacional, saltando de 2 milhões de sacas em 1952 para 8 milhões de sacas em 1965.

Em 1975, uma das maiores geadas já ocorridas no país, provoca a quebra total da produção paranaense e significativas perdas de produção em São Paulo. Os efeitos negativos desse fato estendeu-se até duas safras seguintes, e repercutiu em todo o setor cafeeiro.

Com a pressão dos exportadores, exigindo garantia de fornecimento, o IBC, decidiu pela extinção da “ Campanha de Aumento do Consumo Interno” extinguindo o subsídio de fornecimento de matéria-prima para a indústria, o que determinou o fim do subsídio do governo quanto à oferta dessa matéria prima, com isso a concorrência no setor tornou-se intensa, aliada ao tabelamento de preços, esses fatores impediam as empresas de investir em modernização, diversificação, na qualidade e no aprimoramento em marketing, iniciando um processo de estagnação do setor. Grande parte das empresas passou a adulterar os seus produtos, adicionando misturas ou impurezas no café, como conseqüência da baixa qualidade, o consumo nacional cai sensivelmente do período de 1975 a 1989, chegando a um consumo de apenas 6 milhões de sacas.
Revitalização do setor a partir da década de 90
Diante desse quadro a ABIC passou a defender, junto ao IBC, a criação de um programa de auto-fiscalização a fim de garantir a pureza do café. Em agosto de 1989, após quase dois anos de estudos, foi implantado o Programa do Selo de Pureza ABIC. O objetivo da ABIC ao lançar o Selo de Pureza, em 1989, era devolver ao consumidor a credibilidade no produto.

Outro aspecto positivo, que auxiliou o fortalecimento do programa, foi o fim das políticas de intervenção do governo sobre o preço. Foram quase vinte e cinco anos de intervenção direta nos preços do produto final. A partir de 1990, o governo deixa o mercado agir livremente.

Com a melhoria dos cafés ofertados no mercado, o consumo interno sofrerá um incremento bastante considerável, passando de 6 milhões de sacas para 13,2 milhões de sacas consumidos em 2.002, sendo o Brasil atualmente o segundo maior consumidor mundial, na frente apenas dos Estados Unidos.

Atualmente, o café é cultivado em várias regiões do país. Em todas as suas etapas (produção, industrialização e comércio interno e externo) gera grandes receitas e milhões de empregos, direta e indiretamente. Continua a ser um dos nossos produtos mais importantes e, sem dúvida, o mais brasileiro de todos.

 
   
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